quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

58º Campeonato do Mundial de Ornitologia

Em 24 de Janeiro 2010 terminou o 58º Campeonato do Mundial de Ornitologia, realizado em Portugal. Na minha opinião foi um sucesso e a Comissão Executiva deste evento esta de parabéns.

Em alguns foruns, membros que apenas foram visitar o evento, teceram comentários que minimizavam a importância deste evento internacional. Fiquei triste pois como voluntário acompanhei toda a montagem na Feira Internacional do Porto. A coordenação de toda a logística e o numero de voluntários envolvidos foi impressionante. Os pequenos problemas e os imprevistos associados a colossal manipulação de dados informáticos envolvidos nas listagens, impressão de etiquetas, lançamento de classificações, e outras operação com a base de dados foi muito exigente e fastidiosa. O cumprimento de objectivos implicou trabalho prolongado pela noite dentro, do Rui Vale e de Raul Leitão muitas horas fora da família, pedir antecipação de férias nos empregos.

No inicio do mês de Janeiro, o pavilhão nº6 da Exponor, começou a receber as gaiolas de cartão, já montadas. A planta com a disposição das filas de expositores e dos stands, permitiu começar a montagem e distribuição de todo o material necessário para receber as aves a concurso. Foram 3 camiões TIR trouxeram as gaiolas de cartão o restante material foi transportado por carrinhas de mercadorias. Um grupo de voluntários e elementos da organização e da Comissão Executiva, efectuaram as descargas e montaram as estantes, em linhas previstas no projecto inicial.


No dia 15 de Janeiro, a tarde chegaram os primeiros convoyeurs. Os convoyeurs são as pessoas responsáveis pelo transporte das aves deste o país de origem até a exposição. Em cada país é efectuada a recolha das aves inscritas para o Campeonato do Mundial de Ornitologia. Durante a viagem e até o engaiolamento os convoyeurs tem a tarefa de dar de beber e alimentar as aves. Chegados ao local da exposição verificam e zelam pelo bem estar das aves, colaboram na distribuição e alojamento nas respectivas gaiolas de exposição devidamente referenciadas. Muitas aves chegaram de avião pois a viagem é mais rapida. A variedade de espécies e tipos de alimentação de cada uma é um desafio constante para manter as aves em boa e com o menor stress possível. A tarefa dos convoyeures é muito importante, pois são eles que melhor conhecem os hábitos alimentares das aves que transportaram. Terminado o engaiolamento para concurso, os transportadores são limpos para estarem prontos a receber as aves e as levar de regresso aos respectivos países.

No dia 16 de Janeiro chegaram as aves portuguesas. Transportadas pelos próprios criadores ou trazidas em transportes organizados e fretados pelos clubes. Foi uma ocasião de eu rever caras conhecidas e falar com amigos nomeadamente o Zé Carvalho, o Tony Duarte, o Dionísio. Neste dia levei o meu canário de cor e senti-me muito pequeno face a outros criadores que inscreveram algumas dezenas de aves. Levei um canário branco recessivo classificado em 3º lugar com 90 pontos na XXX Exposição do Clube Ornitológico de Matosinhos. A minha previsão era tirar 88 pontos o que já me deixaria contente. A minha preformance foi melhor do que eu esperava e o meu canário obteve 89 pontos na minha primeira participação num Mundial.


No dia 18 e 19 Janeiro efectuaram-se os julgamentos. Quando via um grupo de juízes a volta das ultimas 2 ou 3 gaiolas, numa observação atenta das expressões do juízes, constatei que nem sempre é fácil decidir quem vai ser o campeão.

No dia 20 de Janeiro, as empresas de produtos para aves começaram a montagem dos seus stands. Entretanto a organização preparava e colocava nas gaiolas as etiquetas individuais com as classificações. No pavilhão 7 chegavam os últimos criadores e comerciantes de produtos para aves para montarem os seus stands de venda. Quem não tinha stand ocupava o seu lugar nas mesas de venda. O frenesim de entradas e saídas de materiais, pessoas e mercadorias eram constante. O bar era o local de encontro e pausa para retempero de energias. Nas mesas ouviam-se conversas em vários idiomas. Neste evento tive oportunidade de trocar ideias e conhecer outras realidades e culturas.


Muito caminho foi percorrido pela Comissão Executiva, pois tiveram de efectuar diligências e apresentar um projecto às entidades oficiais da C.O.M, em conjunto com a C.M. Matosinhos, para garantir e ganhar a candidatura para a realização deste 58º Campeonato do Mundial de Ornitologia. No dia 21 de Janeiro tudo estava pronto para a Abertura e Inauguração.


Sábado 23 de Janeiro, dia aberto ao publico, foi com muito gosto que voltei a encontrar o meu amigo Manuel Marinho, que se deslocou propositadamente de Bruxelas para visitar este 58º Campeonato Mundial. Muitos espanhóis e de outras nacionalidades também marcaram presença. Do sul de Portugal também vieram muitos visitantes o telemóvel do Manuel Marinho não parava de tocar pois a ocasião era de encontro e de conhecer as caras anónimas que frequentam os fóruns de aves na Internet. O meu amigo José Veiga administrador do forum avespt, também teve oportunidade de conhecer pessoalmente o Manuel Marinho, membro muito activo do fórum avespt.

Domingo de manhã 24 de Janeiro, fora do recinto da Exponor era difícil de arranjar lugar de estacionamento. Ultimo dia de exposição a afluência de publico foi maciça. Por volta da 17 horas começaram a convidar a sair os últimos visitantes. Chegadas as 17 horas começou a chamada dos expositores para entrega de aves. Cada expositor era acompanhado por um elemento da organização que o levava ao local onde estava a sua ave que depois de entregue assinava uma folha de confirmação. No fim era acompanhado até a uma saída diferente do local de entrada. Eu passei por este procedimento e no final ao passar pelo Pavilhão 7 onde se realizou a feira de aves senti que tive o privilégio de ter vivido uma experiência única, como criador de canários de cor.

Muito fica por contar, pois é impossível relatar tudo o que vivi e focar outros aspectos importantes ligados a este evento. Peço desculpa a quem se sentir melindrado pelo facto de não ter sido nomeado nesta cronica e ter partilhado comigo todas as vivências deste evento. No Catalogo Oficial existe uma lista de nomes que termina com a expressão “e muitos outros” que define muito bem o sentimento de não querer esquecer ninguém.

Agradeço a oportunidade e o convite que me foi feito pela FONP, por intermédio de Carlos Ramôa para participar como voluntário, neste memorável 58º Campeonato do Mundial de Ornitologia realizado em Matosinhos e organizado em Portugal.


PS: Pode ouvir uma entrevista a Carlos Ramôa feita por Rui Tukayana da TSF durante o último Campeonato do Mundo de Ornitologia.

http://tsf.sapo.pt/Programas/BlogsMaisCedo.aspx?content_id=1016877&audio_id=1485671

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